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domingo, 26 de janeiro de 2014

Trecho do ritual de passagem



...A fonte sagrada corria de em

algum lugar mais acima, a sua água escorrendo para dentro

de um grande lago cercado por pedras vermelhas de

ferrugem devido ao ferro que vinha com a água.

Do outro lado, envolta numa capa, estava uma figura

que — assim o esperava — tinha de ser Lhiannon.

Pensou em como seria aquele ritual quando era celebrado

por uma série de sacerdotisas e não conseguiu decidir se

se sentia desapontada ou satisfeita pelo fato de receber

aquela iniciação unicamente de Lhiannon, que era em

quem ela mais confiava.

— Entraste no templo da Grande Deusa que,

embora use muitas formas, não tem forma nem nome,

embora lhe chamem muitos nomes. Ela é Donzela, para

sempre intocada e pura. É Mãe, a Fonte de Tudo. É a

Senhora da Sabedoria que perdura para além do túmulo.

E Ela responde a todos os nomes que Lhe deram todos

as tribos da humanidade.

 A Deusa está em todas as mulheres

e todas as mulheres são rostos da Deusa. Tudo o

que Ela é, tu serás. Criando e destruindo, Ela faz nascer

todas as transformações. Estás disposta a aceitá-La em

todas as Suas formas?

Boudica pigarreou. — Estou...

Fonte: Os Corvos de Avalon pag.121

domingo, 23 de junho de 2013

Yule, o Solstício de Inverno





Ele acontece por volta de 21 de dezembro no hemisfério Norte e por volta de 21 de junho no hemisfério Sul, e é a noite mais longa do ano.

A partir desse dia, o Sol se aproxima da Terra, e a escuridão do inverno ameaça ir embora. É quando a Deusa dá à luz seu novo filho, o Deus renovado e forte, ainda bebê. É importante notar que no hemisfério norte o Yule é comemorado na mesma época do Natal, e que tem significado muito parecido com o feriado cristão: o nascimento do Deus menino, filho de um Deus maior, aquele que trará a esperança à Terra.




Nesta época, a Deusa dá à Luz o Deus, que é reverenciado como CRIANÇA PROMETIDA. 

Em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças, pedindo para que os DEUSES rejuvenesçam nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos das coisas antigas e desgastadas. É hora de descobrirmos a criança dentro de nós e renascermos com sua pureza e alegria. 






Coloque flores e frutos da época no altar. Se quiser, pode fazer uma árvore enfeitada, pois está é a antiga tradição "pagã", onde a árvore era sagrada e os meses do ano tinham nomes de árvores. 

Esta é a noite mais longa do ano, onde a Deusa é reverenciada como a Mãe da Criança Prometida ou do Deus Sol, que nasceu para trazer Luz ao mundo. Da mesma forma, apesar de todas as dificuldades, devemos sempre confiar em nossa própria luz interior. 

Ervas típicas do YULE

Louro, Camomila , Alecrim , Sálvia, Zimbo, Cedro e outras. 

Comidas típicas do YULE

Carne de porco, castanhas, frutas como a maçã e pêras, bolos de castanhas embebidos de cidra, chás de gengibre ou hibisco.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A ÁRVORE DE YULE






Os Celtas, Druidas veneravam as árvores como manifestações da divindade e como símbolos do universo. 



Para os celtas, essas árvores eram sagradas, porque elas não morriam de ano para ano. 

Por isso, eles representavam o aspecto eterno da Deusa que também nunca morre. 

Suas vegetações eram o símbolo de esperança para o retorno do sol. 

Os druidas decoravam as árvores verdes no Yule com todas as imagens das coisas que queriam para o próximo ano. 

Eles enfeitavam suas árvores com frutas para uma colheita bem sucedida, encantos do amor para a felicidade, nozes para a fertilidade, e moedas para riqueza. 

Estes adornos foram precursores para muitas das imagens que vemos nas árvores de hoje Natal de hoje. 

As velas foram os precursores das luzes da árvore, que hoje são elétricas.

Na Escandinávia, as árvores de Yule eram trazidas para dentro para oferecer uma recepção calorosa e festiva, aos elementais das árvore que habitavam a floresta. Este foi também uma boa maneira de convencer o povo nativo do país das fadas a participar de rituais do Solstício. 

Alguns acreditavam que os saxões foram os primeiros a colocar as velas na árvore. 

Imagens da árvore sagrada de Yule, foram gradualmente absorvidas pela igreja cristã. 

Nós, Bruxas, percebemos que quando plantamos uma árvore, somos incentivadas pela Terra, e a ouvimos respirar. E quando nós decoramos nossas árvores em Yule, estamos fazendo um símbolo de nosso mundo de sonho com os objetos que irão pendurar sobre ela. 

A Guirlanda representa a ligação de todos juntos na Terra. 

As luzes, a luz da consciência humana. 

Figuras de animais que são os nossos totens, frutas e cores que alimentam e dão beleza ao nosso mundo, e prata e ouro para a prosperidade. 

As árvores que decoramos agora, com símbolos da nossa realidade é o que nós esperamos para o próximo ano, a partir desta noite, a luz retorna, renascida. 


Decoração da Árvore

É melhor usar uma árvore viva, mas se você não pode, você pode executar em qualquer outra. 

Faça um ritual agradecendo a árvore, certificando-se de deixá-la um presente quando terminar (Ou algumas ervas ou alimentos para os animais e pássaros). 

Se as suas condições impede que você use uma árvore viva dentro de casa, traga guirlandas verdes para a casa. 


Como decorações

* Pendure na árvore cordões de pipoca .

* Decore com pinhas e glitter como símbolos das fadas e coloque-os na árvore de Yule.

* Use fita vermelha para pendurar .

* Sininhos na árvore de Yule para chamar os espíritos e fadas.

* A Runa das Bruxas, ou Hagalaz, que tem seis raios.

* sol, lua, estrela, frutas.

* Pentagramas para proteção, Triskle, Trilunas, Chifres, espirais.

* Cordas com luzes elétricas em sua árvore para incentivar o retorno do sol.

* Use imagens da Deusa, dos Deuses, das fadas.

* Corações para o amor.

* Use ervas, como canela, para a prosperidade, bolas de cravos, etc.

Consagrando a Árvore 

Consagrar a árvore de Yule com água salgada, 

passando a fumaça de incenso (cedro ou canela) 

através dos ramos, e caminhando ao redor da árvore 

com uma vela acesa, diga: 


"Pelo fogo e pela água, ar e terra,

Eu consagro esta árvore do renascimento."


(Adaptação do texto original de Selena Fox)

domingo, 25 de novembro de 2012

Avalon



Avalon é, provavelmente, o mais famoso reino das fadas da literatura ocidental. 

É descrito como um lugar maravilhoso onde vivem diversas fadas entre elas destacando-se a figura impar de Morgana, a irmã do não menos lendário rei Arthur, Avalon parece ser uma ilha situada em qualquer lugar no meio do oceano e, assim, guarda profundas afinidades com a ilha de Ogigia ou com o reino da Circe, citados por Homero na Odisséia. 


Segundo algumas versões, Avalon possui uma espécie de bruma que a envolve, escondendo-a dos olhos humanos. Há, porém, outras versões as que dizem ser Avalon uma ilha extremamente clara (Avalon a branca) mas que não se revela facilmente aos olhos profanos. 

Avalon é muitas vezes confundida com a ilha de vidro ou de ar. A referência a esses elementos, vidro, ar, etc., dizem respeito à necessidade de proteger esses lugares dos não iniciados. Há inclusive a ideia de que lugares como esses são cercados por muralhas de fogo o que evita a aproximação daqueles que não são qualificados para entrar em contacto com todos os centros de energia. 


O nome Avalon, entretanto, pode ser explicado a partir do cimérico afal, palavra que significa maçã, assim, Avalon significaria ilha das maçãs. 

Essa versão lembra, na mitologia grega, a ilha das Hespérides (ilha para além do oceano) onde havia um jardim no qual estava plantada uma árvore cujos pomos eram de ouro. A conquista desses pomos consistiu-se em um dos trabalhos do famoso herói grego Hércules.

Conforme outra versão, a ilha de Avalon (ilha branca) nada mais seria do que a ilha de Apolo, deus que, na língua dos celtas, é chamado de ablum ou belen. 

Deste ponto de vista, Avalon seria uma espécie de terra solar ou reino de Apolo hiperbóreo. 


Numa coisa, contudo, todas as tradições parecem concordar: Avalon é uma terra paradisíaca. Lá não há frios excessivos nem seca prolongada, reina sempre uma eterna primavera. Nessa ilha não se envelhece, não se adoece, não se morre. Todas as plantas crescem naturalmente sem a necessidade de se trabalhar a terra e as árvores exibem frutos maduros e saborosos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O SAGRADO NUMERO 3


As Bruxas e Bruxos, acreditam e aceitam a Lei Tríplice, que determina que um ato sempre tem a resposta em efeito bumerangue, o que se faz retorna 3 vezes para o emissor.


A Lei Tríplice, muito mais do que uma "lei" é uma filosofia de vida, a qual as bruxas e bruxos seguem e repeitam.
Lei Tríplice ou Lei de Três é uma lei de reflexo, retribuição dos nossos atos, que se aplica a qualquer ação, seja ela boa ou má. Cada energia enviada regressa triplicada a quem a enviou, nesta encarnação e com mais poder. 


Todas as culturas têm um número que é acreditado ser sagrado. Para os celtas esse número era o três e todos os múltiplos de três, desde as faces da Deusa Tríplice ao número de instrumentos mágicos usados pelos druidas. 


É o número das Tríades Sagradas e representa o corpo, mente e espírito.


1-2-3 foram os primeiros números que o homem compreendeu,a formação de um triângulo pai-mãe- filho. 

O Triskle é um símbolo que possui 3 pontas de forma parecerem girar em direções circulares. 


É um símbolo Celta que está intimamente ligado as formas de manifestação da Deusa. 

São estas as faces da Deusa: Donzela, Mãe e Anciã. 

Este símbolo tido como mágico pelo povo Celta traduz estas 3 qualidades peculiares da forma feminina: A intuição, a ternura e a beleza. 

Assim como Corpo-Mente-Alma, as fases principais da Lua: Crescente , Cheia e Minguante.


Lembrando também que este símbolo é um elemento geométrico, possuidor de 3 esferas representando o princípio feminino que há em cada ser humano seja ele homem ou mulher. 

O interessante é que eles consideram os múltiplos de 3 com a mesma importância que o 3, o mais importante múltiplo de três era o nove a manifestação natural do três vezes o três. Nove não era apenas a o múltiplo natural de três, mas era também o número que podia voltar magicamente a si mesmo, e assim ele passou a ser um símbolo do poder criativo e energia.

O triskle (triskele, triskelion ou tryfot).
Sua forma tem a ver com o fluxo das estações e, por consequência, representa a própria Deusa Tríplice (Donzela, Mãe e Anciã), bem como as 3 fases da lua (crescente, cheia e minguante) e Os 3 Reinos Celtas. 

Sendo o número três, sagrado para os celtas, ele nos liga aos reinos do Céu, da Terra e do Mar – elementos que compunham todo o mundo – e por sua vez formavam os Três Reinos Celtas, que eram vistos da seguinte forma: 


- O Céu, que está sobre nossa cabeça e nos oferece o Sol, a Lua, as estrelas e as chuvas que fertilizam a terra. Representa a luz, a inspiração (o fogo na cabeça) e os Deuses da criação.

- A Terra, que está sob nossos pés e nos dá o alimento, nos abriga e faz tudo crescer - são as raízes fortes das árvores. Representa o solo, a raíz e os Espíritos da Natureza.

- O Mar é a água que está em nós, representa o Portal para o Outro Mundo, que sacia a sede e nos dá a vida - sem a água tudo perece e morre. Representa os seres feéricos, a água e os Ancestrais. 


Não sei se para todas as religiões o numero 3 tem o mesmo significado, mas para a Religião Antiga o significado é grandioso. 


A evidência mais convincente de adoração à Deusa vem de numerosas esculturas de mulheres grávidas com seios, quadris, coxas, nádegas e vulvas exagerados.
Essas imagens forma intituladas pelos arqueólogos como estatuetas de Vênus, ou ídolos do culto à Grande Mãe.


Entrar em contato com as faces da deusa significa saber o que esse período pode nos trazer de positivo, e o que aprendemos e poderemos aprender com eles.




sábado, 22 de setembro de 2012

Ostara - Equinócio da Primavera


      
          Primeiro dia da primavera (Equinócio da Primavera).
Em 2012, no Hemisfério Sul, ocorre no dia 22 de Setembro às 11:48 (Horário de Brasília).

Pela primeira vez no ano o dia e a noite se fazem iguais. É portanto, uma data de equilíbrio e reflexão. Os dias escuros se vão, e a TERRA está pronta para ser plantada. É quando os Deus e Deusa se apaixonam, e deixam de ser mãe e filho. 

Nessa data, a semente da vida é semeada no ventre da Deusa, A Donzela revigorada e cheia de alegria. O Deus é devidamente armado para sair em sua viagem no mundo das trevas e reconquistá-lo, para que posteriormente a luz volte a reinar. 

Ostara é o Festival em homenagem à Deusa Oster, senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Foi desse antigo festival que teve origem a Páscoa. Os membros do Coven usam grinaldas, e o Altar deve ser enfeitados com flores da época. É um costume muito antigo colocar ovos pintados no Altar. Eles simbolizam a fecundidade e a renovação. Os ovos podem ser pintados crus e depois enterrados, ou cozidos e comidos enquanto mentalizamos nossos desejos. Nesse caso, não utilize tintas tóxicas, pois podem provocar problemas se ingeridas. 

Use anilinas para bolo, ou cozinhe os ovos com cascas de cebola na água, o que dará uma bela cor dourada. Antes de comê-los, os membros do Coven devem girar de mãos dadas em volta do Altar para energizar os pedidos. Os ovos devem ser decorados com símbolos mágicos, ou de acordo com a sua criatividade. 

Os pedidos devem ser voltados à "fertilidade" em todas as áreas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Sociedade Celta







O crepúsculo é a hora da imaterialidade. É ao cair do sol que as sombras se tornam traços alongados sobre o chão. É ao levantar da lua que as formas se difundem, se confundem, em um jogo de cores e matizes, em uma dança meio que desordenada de ícones e símbolos. O crepúsculo é o momento do diáfano, do irreal, do etéreo, do não palpável. É a morte do dia, o nascimento da noite, mas já não é mais dia, e ainda não é noite.

Enfim, o crepúsculo é o reino do vir a ser, um castelo construído com as pedras da virtualidade. A Idade Média é uma zona de crepúsculo. Um tempo em que as fronteiras, tanto geográficas como psicológicas, ainda estão longe de estarem definidas. São séculos que tem a palavra incerteza encrustada nos portais de suas cidades muradas, escrita com letras de fogo por sobre os portais das igrejas e no coração de seus habitantes. E levar essa palavra - incerteza - em consideração é uma condição básica para que ousemos nos aproximar da dita Idade das Trevas.

Esse caráter fragmentário tornar-se-ia explícito em quase todas as instâncias do cotidiano medieval. O próprio país não passava de uma justaposição de feudos, células independentes que, por motivos circunstanciais formavam uma unidade maior.

A guerra também era uma atividade fragmentária, com a Cavalaria valorizando a unidade, a individualidade, um pensamento completamente contrário ao de Roma com suas Legiões, grandes exércitos atacando o inimigo em blocos maciços. 

Entretanto, talvez seja no campo das artes que essa cultura do fragmento tenha sua expressão mais marcada. E encontraremos nos textos em prosa desta época, principalmente nas novelas de cavalaria, reflexos claríssimos desse embate entre culturas, uma vez que elementos essencialmente pagãos, provenientes das culturas celta e germânica, que foram passando de geração em geração; e de árabes e turcos, em virtude da invasão e permanência desses povos infiéis em território europeu durante várias décadas, aparecem nesses textos andando lado a lado com os sacramentos da Igreja Romana, com os santos do catolicismo, com a figura do próprio Cristo

Arthur e a Sociedade Celta


As civilizações tendem a escolher seus heróis. E o nome desses heróis, mesmo que ficcionais, fica de tal modo enraizado na história dessas civilizações ao ponto de, a partir de determinado momento, começarem a ser tratados como figuras históricas reais.

A Grécia tem seu inesquecível Odisseu, aquele que após a guerra de Tróia enfrentou a morte mil vezes para retornar ao seu lar; Roma tem Enéias, sobrevivente de Tróia que fundou, sob a proteção dos deuses aquele que viria a ser um dos maiores impérios do Ocidente. A Idade Média não é diferente.

Muitos foram os heróis nascidos sob o signo da civilização medieval e muitos os seus feitos grandiosos. Porém, a palavra grandiosidade não se aplica de maneira tão plena a nenhum deles como se aplica a Arthur e seus cavaleiros. Tem-se notícia de um Arthur histórico. Ele teria sido o líder de uma das inúmeras tribos celtas, que defenderam o território inglês contra as invasões dos saxões. 

Entretanto foi o imaginário popular, por motivos não facilmente explicáveis e que não vêm ao caso agora, que o transformou em grande Rei da Inglaterra, aquele que teria unificado todas as tribos que compunham o mosaico inglês em um grande exército que marchou contra os invasores. E o folclore - derivado de folk, da palavra inglesa para povo - vai além, quando lhe atribui uma origem cercada por mistério e feitiçaria, uma espada dotada de poderes mágicos e até mesmo uma morte não definitiva.



Aos poucos, outros personagens que, originalmente não estavam ligados a Arthur e seus cavaleiros foram sendo incorporados à sua côrte, como Tristão de Lionês, Isolda da Irlanda e Marcus da Cornualha.

A lenda de Tristão é de origem celtica, mas sua gênese é incerta e nebulosa, como, aliás, a da maioria dos textos medievais. Entretanto, existem elementos que atestam a ligação entre o texto e os antigos cultos ao Sol daquelas tribos, bem como determinados traços filológicos relativos aos nomes das personagens e a fragmentos de manuscritos mais antigos. Dessa forma, mais por influências externas, uma vez que os escritores dessa época geralmente concebiam seus textos sob encomenda da nobreza, o destino de vários heróis independentes em suas raízes acabou sendo ligado ao de Arthur.

Mas o que realmente importa para o decorrer desta breve análise é a origem celta, e, portanto, pagã desses dois grupos de personagens. Uma vez concebidas por uma cultura completamente diferente da cristã, vigente na Europa durante o período em que foram prosificadas, é natural que essas narrativas apresentem traços bem marcados das crenças, costumes e ideais daquelas sociedades. E, no caso das tribos celtas, estes traços são mais acentuados pelo fato de se tratarem de sociedades matriarcais em que era adotada uma religião de cunho também matriarcal. Outro ponto importante a respeito dessa religião é o fato do sexo ser encarado pelos celtas como uma celebração à vida, uma forma de homenagem à Deusa, à Grande Mãe, ou seja, uma concepção completamente oposta à da Igreja Católica.

Assim, seria inevitável que estas histórias trouxessem consigo toda essa carga ideológica diametralmente opostas a qualquer dos preceitos cristãos. Criou-se então um problema crucial: o que fazer com esse paganismo? Deixá-lo livre, detentor da virtualidade da corrupção da alma do povo, uma vez que essas idéias pagãs eram muito mais atraentes do que o eterno mea culpa do cristianismo? Ou destruí-lo por completo, como seria feito com as chamadas heresias, talvez a maior e mais famosa, a Heresia Albigense?